Estreia no Festival de Glasgow o Documentário 'Todos para a Rua Kenmure': Uma História de Solidariedade Escocesa

2026-03-09 12:59

Um documentário que narra a história de um dos atos de resistência civil mais espontâneos e bem-sucedidos da Escócia em memória recente estreou com destaque na 22ª edição do Festival de Cinema de Glasgow, após sua estreia mundial no Sundance. Produzido pela duas vezes vencedora do Oscar Emma Thompson, 'Todos para a Rua Kenmure' é uma história inspiradora de comunidade e solidariedade diante de uma batida de imigração que ameaçava deportar dois homens indianos em maio de 2021.

O filme do cineasta chileno-belga radicado na Escócia, Felipe Bustos Sierra, já aclamado por seu trabalho anterior 'Nae Pasaran', utiliza cenas projetadas, filmagens de arquivo e sequências filmadas com atores recitando verbatim os testemunhos de pessoas que preferiram permanecer anônimas. A produção conta ainda com a música original de Barry Burns da banda Mogwai e promete não apenas emocionar com a história da manifestação pacífica do dia, mas também provocar reflexões sobre o apoio mútuo e a urgência de temas relacionados à imigração.

Thompson, que também tem um papel surpreendente no documentário, descreve a obra como um filme urgente e poderoso, que demonstra a decência inerente das pessoas, ao mesmo tempo que destaca as estruturas institucionais opostas a essa decência. 'Todos para a Rua Kenmure' não apenas captura o espírito de uma comunidade de Glasgow que se recusou a aceitar a injustiça, mas também fala sobre temas atuais e universais que ressoam muito além das fronteiras da Escócia.

A reação dos moradores de Glasgow ao filme tem sido profundamente pessoal, com muitos reconhecendo não apenas seus vizinhos e amigos nas filmagens, mas também a própria essência de sua comunidade. O filme é um testemunho da humanidade comum que pode emergir em momentos de crise e a história que ele conta continua relevante, pois o tópico da imigração permanece um assunto importante tanto no Reino Unido quanto em outros lugares.

Com olhos voltados para o futuro, Bustos Sierra já está planejando seu próximo projeto, que explorará outro ato de protesto com raízes na Escócia, possivelmente em uma obra ficcionalizada.