Screen Actors Guild: A Jornada Histórica e o Futuro da Cerimônia de Premiação
No dia 25 de fevereiro de 1995, a NBC transmitiu pela primeira vez o que viria a ser uma cerimônia anual da Screen Actors Guild (SAG), premiando artistas que se destacaram tanto no cinema quanto na televisão. Esse evento, escolhido por mais de 77 mil membros do grupo, se tornou um ritual prestigiado no meio artístico. Foi um momento significativo, segundo o presidente da SAG na época, Barry Gordon, pois pela primeira vez, os próprios atores poderiam reconhecer o talento uns dos outros.
A SAG demorou para aderir à moda das premiações, considerando que a Guilda dos Roteiristas e a Diretores Guild of America já concediam prêmios desde 1949. No entanto, a SAG rapidamente ganhou estatura com seus membros demonstrando orgulho pelo sindicato, que simbolizava mais do que um ingresso para trabalhar na grande indústria cinematográfica e televisiva: era um importante marcador de identidade profissional.
Quando Tom Hanks ganhou o prêmio de melhor ator por 'Forrest Gump' naquela primeira cerimônia, ele fez questão de posar tanto com o estatueta quanto com seu cartão da SAG, reforçando o valor da associação ao sindicato. Anos mais tarde, a SAG anunciaria uma mudança controversial; a cerimônia principal seria retransmitida via Netflix a partir de 2026 e passaria a ser chamada de 'The Actors Awards presented by SAG-AFTRA', de forma a alcançar novos públicos globais. Essa decisão de renomeação, vista por alguns como um enfraquecimento da marca, gerou debates sobre a importância de preservar as conquistas e o legado da SAG.
A fundação da SAG ocorreu durante a Grande Depressão como uma resposta às tentativas dos grandes estúdios de Hollywood de impor cortes salariais de 50%. A luta pelo estabelecimento de um sindicato profissional de atores foi árdua, mas acabou sendo um ato fundamental de autopreservação que teve como um de seus momentos marcantes uma reunião de mais de 800 atores no Teatro El Capitan, em 1933, liderada por Eddie Cantor.
Paralelamente aos esforços da SAG para proteger seus membros, a indústria enfrentava desafios tanto internos quanto externos, incluindo tentativas de controle por parte de organizações criminosas e pressões governamentais. Nos anos 40, a SAG enfrentou uma das suas ameaças existenciais quando gangsters tentaram invadir o sindicato para fazer do fundo de pensão da SAG um possível 'caixa dois'. Graças à resistência organizada por membros influentes como Robert Montgomery, a SAG conseguiu superar essa barreira.
Ao longo do tempo, a SAG centrou forças em questões práticas, como horas extras e intervalos para almoço, evitando o ativismo partidário e focando na representação justa de seus membros. Durante a era do Macartismo, no entanto, a SAG enfrentou um de seus capítulos mais sombrios ao cooperar com o Comitê de Atividades Antiamericanas, contribuindo para a normalização da lista negra que afetaria a carreira de muitos atores.
Na era pós-guerra, um dos principais desafios da SAG foi garantir compensações justas para os membros diante das inovações tecnológicas e suas novas fontes de receita. Após fusões e greves, a SAG continuou a lutar por remunerações adequadas, especialmente no contexto emergente das plataformas de streaming. A decisão de desassociar o nome do sindicato da cerimônia de premiação principal reflete os novos dilemas enfrentados pelo sindicato em um cenário de entretenimento em constante transformação.