Controvérsias e Desafios Marcam a 76ª Edição do Festival de Cinema de Berlim

2026-02-25 12:59

A edição de número 76 do Festival de Cinema de Berlim, sob a direção de Tricia Tuttle, foi marcada por dificuldades e polêmicas. Relatos da mídia alemã indicam incertezas quanto à permanência de Tuttle, que até agora cumpriu dois anos de um contrato de cinco anos à frente do evento. Um representante do festival se recusou a fazer comentários a respeito do futuro da diretora.

Por outro lado, o jornal alemão Bild noticiou que Wolfram Weimer, ministro alemão de estado para cultura, convocou uma reunião extraordinária do conselho de supervisão da Kulturveranstaltungen des Bundes in Berlin (KBB), a entidade que administra a Berlinale, para discutir a direção futura do festival. A reunião foi confirmada para acontecer na quinta-feira pela manhã, segundo comunicado oficial.

Durante o Berlinale 2026, confrontos e controvérsias se acenderam quando cineastas foram provocados com questões políticas direcionadas durante coletivas de imprensa, muitas vezes sem relação com seus filmes. Criticaram-se diretores e estrelas por não se posicionarem firmemente, especialmente sobre a guerra em Gaza.

Em um desenvolvimento surpreendente, 81 ex-participantes do Berlinale, incluindo Tilda Swinton, Javier Bardem e outros, assinaram uma carta aberta acusando o festival de censurar artistas contrários ao genocídio de palestinos em Gaza por Israel e alegando a cumplicidade do estado alemão. Tuttle negou tais acusações, ressaltando que o festival é um espaço para cineastas discutirem livremente assuntos políticos ou outros conforme julgarem apropriado. No entanto, houve reação política alemã após discursos pró-palestinos na cerimônia de encerramento, resultando na saída em protesto de Carsten Schneider, ministro alemão do meio ambiente, durante um discurso de um diretor sírio-palestino que acusou o governo alemão de ser 'cúmplice no genocídio em Gaza por Israel'.

O relatório do Bild sugere que esses eventos provocaram a reunião de quinta-feira. Schneider chamou as declarações de inaceitáveis e, por isso, abandonou o evento em meio ao discurso.