Futuro das Exibições Teatrais em Jogo com a Aquisição da Warner Bros. pela Netflix
O CEO da Cinemark, Sean Gamble, expressou uma postura cautelosa com relação ao futuro das exibições teatrais, tendo em vista o planejado acordo de aquisição da Warner Bros. pela Netflix. Durante uma teleconferência que discutia os resultados do quarto trimestre de 2025 da Cinemark, surgiram questionamentos sobre as intenções da Netflix de abraçar o cinema tradicional, caso a aquisição de US$ 83 bilhões se concretize. Gamble mostrou-se cético quanto ao comprometimento da Netflix com a indústria de exibição teatral, dada a maneira como o serviço de streaming - e o streaming em geral - tem transformado o mercado.
Gamble notou que tem sido "otimista" com a ideia de que a Netflix reconheceria a importância das exibições no cinema, assim como outras empresas de tecnologia, como a Amazon e a Apple. O CEO da Cinemark destacou que ignorar os cinemas não significa apenas perder metade da receita de bilheteria, mas também desconsiderar o significativo impacto em engajamento, retenção e interesse que as plataformas conseguem com lançamentos nos cinemas.
Ao longo das negociações sobre a aquisição pela Netflix, a indústria tem mostrado resistência, torcendo inclusive por tentativas de aquisição hostil da Paramount. Em reação, Ted Sarandos, junto ao co-CEO da Netflix, Greg Peters, iniciaram uma turnê midiática na tentativa de fortalecer relações com os donos de cinemas. Uma concessão importante anunciada é o compromisso da Netflix em respeitar a janela teatral padrão de 45 dias para filmes da Warner Bros.
Apesar de encontrar algum encorajamento nos comentários recentes de Sarandos, Gamble permanece reticente. Ele aponta que os comentários favoráveis ao cinema são contraditórios em relação a declarações desfavoráveis feitas pela Netflix no passado. Para ele, a janela de 45 dias é um bom ponto de partida, mas ele questiona o que acontecerá após esse período - as obras irão para venda digital ou para a própria Netflix? Gamble conclui enfatizando que são necessárias "mais ações em vez de comentários" e "garantias mais firmes" para que a indústria confie nas intenções da Netflix.