Berlinale ilumina dias cinzentos com estreia de 'Lali', marco do cinema paquistanês

2026-02-13 13:00

Na melancolia cinzenta dos dias de fevereiro em Berlim, a Berlinale trouxe um refúgio colorido e vibrante com o novo filme de Sarmad Sultan Khoosat. Conhecido por seu trabalho em 'Circus of Life' e 'Joyland', ambos representantes oficiais do Paquistão na corrida pelo Oscar e com 'Joyland' recebendo o prêmio do júri em Cannes, Khoosat apresentou em Berlim seu mais recente trabalho, 'Lali'. Este filme é um marco por ser a primeira longa-metragem totalmente paquistanesa apresentada no Festival Internacional de Cinema de Berlim, que já havia destacado co-produções com o país.

'Lali', que estreou mundialmente na seção Panorama do festival em 14 de fevereiro, narra a história de uma mulher vista como uma noiva amaldiçoada e de seu marido, que finge estar possuído como uma forma de controlá-la. A narrativa explora os matizes complexos de um casamento, desde o medo, a vergonha e a ternura até o desejo, a violência e a superstição. No centro da trama estão as atuações de Mamya Shajaffar e Channan Hanif, acompanhados por Rasti Farooq, Farazeh Syed e Mehr Bano, em uma jornada que investiga a opressão e o trauma.

O próprio Khoosat relatou a origem inesperada da inspiração para 'Lali', vinda de uma atriz com quem trabalhou anteriormente. Encantado com suas histórias curtas carregadas de psicologia e influências de Jung e Freud, ele acabou comprando os direitos e transformando-as na semente do filme. Além disso, o diretor enfatiza o uso simbólico e temático da cor vermelha, predominante na película, que contrasta com o título original que falava em um 'Cobertor Preto'. Este tom é também representativo das cerimônias de casamento no subcontinente indiano, parte integrante do contexto cultural da obra.

Khoosat levantou importantes reflexões sobre os temas abordados em 'Lali', como os construtos sócio-culturais e as relações pessoais, moldados especialmente pela instituição do casamento. Ele mesmo testemunhou a maneira como estas uniões se entrelaçam no tecido social através das múltiplas núpcias de seus pais. Quanto ao elenco, ele buscou atores que fugissem dos clichês televisivos, priorizando autenticidade e frescor, incluindo a escolha do praticamente estreante em cinema Channan Hanif para um dos papéis principais.

O filme também se beneficia da música de Star Shah, artista de hip-hop Punjabi, que adiciona uma camada sonora distinta, composta também por textos do poeta preferido do diretor, Shiv Batalvi. Khoosat expressa a crença de que o cinema deve ter o potencial de ultrapassar linguagens e culturas, mas enfatiza que qualquer obra deve cumprir primeiro seu propósito primordial. 'Lali', portanto, promete ser uma jornada sensorial ligada a suas raízes, ao mesmo tempo em que aponta para um alcance global.